E, bom, nos ratos, funciona praticamente do mesmo jeito.
Entendidas essas ideias, vamos ao passo-a-passo da experiência com pinta de sci-fi que os pesquisadores realizaram:
1- Primeiro, eles desenvolveram geneticamente um rato capaz de expressar a proteína Channelrhodopsin-2 (ChR2). Mais precisamente: um rato capaz de expressar essa proteína apenas nas células nervosas que se envolvem na formação de uma memória. Isso torna possível o mapeamento exato dos neurônios que participaram de um engrama específico.
2- Então, esse ratinho especial foi colocado numa salinha segura, que vamos chamar de sala A. As células que memorizaram a experiência expressaram a proteína ChR2 e foram identificadas pelos pesquisadores.
(Ah, um detalhe importante: a proteína ChR2 é foto-sensível. Ao ser iluminada, ela causa a ativação da célula que a expressou. Esse fator é essencial para a experiência.)
3- Depois, o ratinho foi levado para outra sala, a sala B, e, lá, a área cerebral com o engrama da experiência da sala segura foi iluminada, causando a reativação daqueles neurônios e trazendo à mente do roedor a memória da sala A.
4- Enquanto ele revivia a experiência da sala A, os pesquisadores deram um pequeno choque nas patas do bichinho, gerando uma reação de medo.
5- Ao retirá-lo da sala B e recolocá-lo na sala A, foi possível ver o sucesso da implantação de memória quando o ratinho sentiu medo daquele ambiente. Mesmo nunca tendo tomado um choque ali, ele tinha em seu cérebro a memória de ter passado por maus bocados naquele lugar.
Essa pesquisa pode gerar impactos em estudos já existentes sobre a falibilidade da nossa memória e (mais legal ainda) em estudos sobre a criação de memórias artificiais em humanos – o que causa arrepios em quem já viu obras sci-fi que tratam do tema. Qual delas mais te assusta?
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